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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Chegou a Shoestock Online

Olá, amigos!

Quem disse que não dá pra vender sapatos pela internet, com certeza ainda não conhece a Shoestock Online.

A tradicional varejista de calçados, com milhares de fãs espalhados por todo Brasil, sai na frente da concorrência e inaugura sua loja virtual.

O que ela traz de especial?

• É uma loja inteligente, pois permite a criação de looks por meio das combinações sugeridas pelo departamento de estilo da Shoestock. A equipe ainda destaca, na seção “Shoes AMA”, produtos up to date que apresentam as tendências de moda;

• Há fotos dos produtos em diferentes ângulos e com possibilidade de zoom, para perfeita visualização em todos os detalhes, sendo possível também a visualização dos modelos, em todas as opções de cores disponíveis;

• Sistema de troca sem stress: caso os produtos não atendam plenamente às necessidades do cliente, a equipe da Shoestock Online retira o produto no mesmo endereço de entrega e providencia a substituição do novo produto sem custo algum, em qualquer lugar do Brasil;

• Mix variado de produtos, para atender às diferentes necessidades dos clientes espalhados pelo país;

• Fácil navegabilidade, com informações simples e claras, que propicia uma compra intuitiva;

• Diversas opções de entrega, em que o cliente escolhe o melhor custo x benefício.

Por essas e por outras, a loja já nasceu grande e tenho muito orgulho de dividir esta novidade com você. :o)

Fica o convite para conhecer: http://www.shoestock.com.br

Abraços do Maruxo

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O casamento do ano

De um lado, temos a Zappos.com
Para quem não conhece, trata-se da maior loja virtual de calçados e artigos esportivos do mundo. Faturou um bilhão de verdinhas em 2008 e tem como razão de ser entregar felicidade para seus consumidores. Entregar felicidade? À primeira vista, esse papo de entregar felicidade (mesmo que seja com frete grátis) parece propaganda de margarina...
Mas a coisa é pra valer.
Sou um fã incondicional do jeito Zappos de tocar um comércio eletrônico e uma marca, pois eles mataram a charada de como sobreviver com sucesso num mercado com tantos entrantes e com tanto ainda pra crescer: eles entenderam que e-commerce é prestação de serviços. E ponto final!
A Zappos é especialmente uma empresa de serviços, que por um acaso vende tênis e vestuário.
Não à toa, o slogan deles é "Powered by services".

Do outro lado, Amazon.com
A gigante mundial do e-commerce, que nasceu pra ser grande desde a escolha do seu nome, inspirado na grandeza do nosso rio Amazonas. E por tudo que já representa no e-commerce mundial, dispensa maiores comentários.

As duas empresas focam na satisfação dos clientes, porém cada uma utiliza uma forma de atingi-la. De um lado, a Amazon foca em preços baixos, vasta seleção de produtos e conveniência para fazer seus clientes felizes, enquanto a Zappos faz isto construindo relacionamentos, criando conexões emocionais entre sua marca, produtos e clientes e entregando um serviço de atendimento de altíssimo nível.

Nas palavras de Tony Hsieh (CEO da Zappos.com), a compra pela Amazon fortalece e acelara o crescimento de ambas as empresas, que continuam sendo tocadas de forma independente, com suas culturas e individualidades preservadas, porém criando sinergias tecnológicas, operacionais e estratégicas.

E imagina quanta sinergia pode ser tirada daí? Na minha visão, este é o casamento do ano. Deveria sair até na revista Caras. E cabe a nós, que respiramos neste universo tão fascinante, estudar a fundo cada novo movimento destes dois gigantes, pois daí sairá muito aprendizado para ser aplicado no seu, no meu e em todos os negócios que também nasceram pra fazer história.

O Tony, em comunicado oficial a seus funcionários, se diz tão empolgado com o evento, quanto quando se formou na faculdade: era tudo novo, havia um mundo a desbravar pela frente e a junção destes dois monstros do e-commerce repete essa sensação nele.

E em mim também.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O valor por trás do preço da FNAC

Não sei se ficou sabendo, mas o caso se espalhou rapidamente na internet e até na TV: na madrugada de 20/05/09 o braço virtual da FNAC colocou toda loja a R$ 9,90. Macbooks, filmadoras, TVs de Plasma, todo site a nove-e-noventa! Mas que beleza.

Caso tenha sentido uma dor aguda no peito por não ter aproveitado este momento mágico do e-commerce nacional, acalme seu coração. Não era uma promoção relâmpago no estilo "passo o ponto" ou "deu a louca no gerente". Nem ache que a FNAC deu início a uma reformulação em seu objetivo comercial focando agora na caridade, fazendo este mundo melhor doando TVs de plasma para internautas insones e sortudinhos.

A notícia se espalhou rapidamente pelo Twitter e o site foi bombardeado por pedidos desonestos. Sim, desonestos. Não tenho outra palavra pra definir um cidadão que compra um notebook de última geração a R$ 9,90 e em nenhum momento questiona a própria consciência se isto é correto, se isto não é tirar proveito do erro de alguém.

Pra mim, o que aconteceu virtualmente é o mesmo que acontece fora da internet, quando um caminhão tomba na estrada e o pessoal, ao invés de parar para ajudar, saqueia a mercadoria. Ou ainda, quando existe um quebra-pau generalizado, a turma começa a quebrar vitrines e saquear as lojas. Ou quando o Manuel da padaria sem querer dá um troco maior do que deveria e o cidadão fica quietinho e finge que não é com ele...

- Vamos todos!!! O caminhão da FNAC tombou! Leva tudo o que puder carregar!

Sic! (...)

Mas de tudo se tira uma lição e não há como não aplaudir a atuação da FNAC no episódio, que agiu de forma impecável para gerenciar esta crise.

Ela errou? Claro que sim!

Mas agiu rápido: naquela mesma madrugada admitiu publicamente sua falha.
Criou e publicou um procedimento para o consumidor saber o que seria feito a respeito.
Posicionou-se como empresa séria e explicou até onde ia sua responsabilidade sobre o erro.

E tudo isso com o apoio do Procon e da lei, que estão aí para garantir que não ocorram desvios numa relação comercial. Em ambos os lados.

Não importa o preço anunciado. Importa, sim, os valores por trás disso tudo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Crise mundial e o comércio eletrônico

Se você esteve em uma turnê por algum planeta fora do nosso sistema solar onde seu celular não pegava tão bem ou acabou de ser resgatado da ilha de Lost, é muito provável que você não saiba que um dia desses o castelo de cartas do mercado financeiro americano despencou e levou quase todo mundo junto com ele.

Da tragédia total dos primeiros dias, à esperança dos próximos com a chegada de um novo presidente com pinta de salvador da pátria, agora estão chegando mais algumas boas notícias.
E não é que o nosso querido comércio eletrônico vem sendo apontado como o salvador da pátria? Ou melhor, das pátrias?

Faz todo sentido... O e-commerce tem vantagens comerciais muito fortes e mesmo em tempos como esse de muito limão e pouca limonada, ele é um dos poucos mercados que continua em franco crescimento.

Mas espere! Antes que você saia criando sua lujinha, leia um pouco mais, senão essa limonada vai azedar.

Amigos empreendedores, como em qualquer negócio, no e-commerce nem tudo são flores online... Trago dados: segundo a camara-e.net, são criados 8 mil sites de vendas todos os anos, mas quase metade não sobrevive aos primeiros 12 meses.

E a maior culpada por tamanha mortalidade, além da falta de divulgação ou preços competitivos, é sem dúvida alguma a falta de planejamento.

Planejar é algo que a gente faz quase sempre, mesmo sem nem perceber. Bate aquela fome, você planeja uma ida à geladeira ou uma ligação pra pizzaria. Sentiu aquele aperto no meio da rua, você já planeja qual estabelecimento público possui um banheiro amigável e sadio para te receber. E assim é praticamente com tudo. A diferença é que alguns planejamentos são mais inconscientes e até automáticos e outros são - e deveriam mesmo ser - bem mais conscientes. E quando falamos de negócios, não ache que só ter uma boa idéia e deixar rolar um planejamento inconsciente já resolverá os seus problemas.

O MINISTÉRIO DA SAÚDE DA SUA EMPRESA ADVERTE:
Não comece nada, negócio algum, sem dar aquela planejada bacana.
Ainda mais em tempos de crise.

A esse propósito, eu ministrei no final de 2008 uma palestra cujo tema era “Os 8 conceitos-chave para um e-commerce de sucesso”. Esta palestra abordou os 8 aspectos de planejamento estratégico que devem ser estudados antes de iniciar o seu negócio.

Basicamente, você tem a missão de conhecer e colocar no papel, com muita criatividade, o seguinte sobre o seu negócio que está para nascer:

1- Qual sua Proposta de Valor – Para determinar uma proposta de valor para sua loja virtual, pergunte-se: “Por que o cliente deveria comprar de mim?”. Se a resposta não for atrativa, comece de novo. E fique em looping nesta questão até estar pronto para pensar na próxima.

2- Qual o Modelo de Remuneração – Como todo negócio visa o lucro, pergunte-se: “Como vou ganhar dinheiro?". E trabalhe em cima de um planejamento financeiro que envolva previsão do giro de estoque, os meios de pagamento da loja e suas taxas, cálculo das margens dos produtos, previsão do equilíbrio financeiro e por aí vai. Um amigo, empresário de muito sucesso, me disse: só abra um negócio se você tiver dinheiro em caixa para sobreviver por pelo menos 1 ano sem lucrar. É realmente de se pensar.

3- Oportunidades de mercado – A pergunta que deve ser respondida: “Qual mercado eu quero servir e qual o seu tamanho?”. Seria muito simplista responder: se estou na internet, então meu mercado é o mundo. Vá com calma, determine um mercado mais específico, veja quanto ele pode render, saiba exatamente por qual parte de terra virtual você vai batalhar.

4- Ambiente Competitivo – Olhe para os lados e se pergunte: “Quem mais ocupa meu mercado-alvo, quais suas forças e fraquezas?”. Se você notar que o mercado está saturado ou que as barreiras para entrar nele são intransponíveis, avalie as oportunidades, crie um mercado novo, um especial, um diferente. Ou mude de mercado sem o menor apego emocional.

5- Vantagem competitiva – Nova pergunta que não vai querer calar: “Quais vantagens especiais eu trago para o mercado?”. No e-commerce, eu preciso ser ótimo em três frentes para ter vantagem competitiva: preciso comprar, vender e entregar melhor que meus concorrentes.

6- Estratégia de Marketing – Responda sem titubear: “Como eu vou promover meus produtos/serviços para atrair meu público-alvo?”. Não acredite que só de ter uma loja no ar os clientes irão surgir de todos os lados. Este era o pensamento de quase metade das lojas que foram criadas e fecharam no ano passado! O bacana é saber que é possível promover seu e-commerce sem altos investimentos e ir gradativamente aumentando os investimentos conforme o negócio possibilite. Acompanhe meu blog pois sempre falaremos destas estratégias de marketing por aqui.

7- Estrutura Organizacional – isto é bem amplo. Primeiro, é preciso identificar a plataforma técnica a ser utilizada na loja. Há diversas opções de lojas virtuais bem completinhas e baratas no sistema de aluguel, que você pode contratar pra começar e no futuro migrar para algo só seu, totalmente exclusivo. Também é importante determinar se vai começar já utilizando um sistema de ERP que atenda às necessidades do negócio ou vai iniciar os controles internos em planilhas ou até em papel de pão e no futuro migrar pra algo mais sofisticado. É preciso saber quais profissionais vão ser utilizados na iniciativa, mesmo que seja sua sogra, sobrinho e aquele cunhado que vive te pedindo emprego. Finalmente, precisamos definir bem quem faz o quê, atribuindo responsabilidades, senão vai ser uma festa do caqui.com.

8- Gestão de Pessoas – Essa é importantíssima e por isso ficou para o final. Responda do fundo do seu coração: “Como eu pretendo cuidar do meu capital humano?” – o mercado ainda é muito carente de gente boa de e-commerce, precisamos ter um boa estratégia para lidar com isso. Desenvolver o seu pessoal, fazê-los sentirem-se importantes no processo, vestir a camisa, amar o que se faz... Essa paixão precisa ser despertada e alimentada sempre.

Pois bem... Agora é contigo! Faça a sua lição de casa, trabalhe, planeje e depois festeje.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Notícias do outro lado do balcão

Para nós, que respiramos o fascinante clima do comércio eletrônico, o fim de ano é sempre uma guerra, porém das boas, daquelas que a gente vai para o "front" cheios de garra e vontade para que todo o planejamento do ano, daquelas sementes que plantamos com tanto suor, possamos colher os melhores frutos.

A nossa correria começa bem antes do Natal, muitos meses antes, quando se fazem as previsões de compra, quando se dimensiona a operação, quando se projetam as vendas, quando se azeita o relacionamento com todos os fornecedores, quando se esquematizam as entregas, quando se preparam as ações de marketing, quando se alinha o pessoal para gerenciar as exceções e atuar sob condições muitas vezes estressantes... Ufa!

Quem vive este clima de adrenalina natalina, do lado de cá do balcão, sabe que é preciso muito jogo de cintura, muita vontade de fazer a diferença, pois é exatamente nesta hora que somos exigidos em nosso limite.

É muito comum ter hora pra entrar, mas para sair já nem tanto... É mais comum ainda descobrirmos que, apesar de todo planejamento, Murphy e suas Leis resolvem dar as caras com mais força justo na época do bom velhinho. E lá vamos nós, com muita criatividade, achando soluções para cada caso, para que não fique ninguém sem seu presente.

No final da contas, como sobreviventes, e principalmente como vencedores de mais uma boa guerra, saímos de trás do balcão e viramos pessoas comuns de novo. Vamos para nossas casas após o atendimento do último cliente, com aquela sensação de dever cumprido, com mais um Natal em nossos currículos, em nossa bagagem de vida.

É hora de rever os amigos, nossos filhos, de abraçar quem amamos, de agradecer a paciência de nossas famílias com nossa correria natalina típica de comércio eletrônico... E, principalmente, é hora de lembrar do real significado do Natal. Que, graças a Deus, não é nem de perto só feito de consumo!

Feliz Natal a você que me acompanhou através deste Blog, que contribuiu com sugestões, com críticas, com elogios... Que possamos nos reencontrar em 2009 com muita paz, muita luz e sucesso. Hou! Hou! Hou!

sábado, 27 de setembro de 2008

Falando de e-commerce: sabendo gastar, nunca vai faltar

Lembro-me muito bem da cena. Em pleno intervalo do Jornal Nacional, a tela ficando toda azul. Umas bolhas amarelas surgem ziguezagueando neste oceano, uma música de suspense vem aumentando seu volume ao fundo e finalmente o símbolo do Submarino dá as caras para o brasileiro comum pela primeira vez!

Era algo meio maluco de se ver. De repente, nos vimos soterrados de publicidade de um monte de empresas que nunca havíamos ouvido falar, umas tais de ponto-com, que começaram a pipocar em outdoors, rádio, revistas e até em TV no horário nobre.

A explicação desta onda é racional: como a gente faz algo em um ambiente que não conhece? Repete as fórmulas antigas e vê o que acontece. E assim se fez em muitas casas do ramo.

Lembro-me de termos fugido à tentação da mídia tradicional e acertado em cheio nos idos de 2003, ao escolher como estratégia de publicidade só investir em mídia online, quando fui responsável pelo marketing do extinto Shopping QualiVillas, site de comércio eletrônico do Banco Real. Por quê? Ora, éramos um site de e-commerce. E como tal, a publicidade tinha obrigação de gerar vendas e, se possível, imediatas.

Nosso raciocínio era simples assim: se eu anuncio o site numa rádio, por exemplo, eu tinha que torcer para que o Universo conspirasse a nosso favor de maneira que o ouvinte fosse impactado e cativado pelo anúncio, que ele guardaria na cabeça o complexo nome "QualiVillas" (Ops! Falha nossa ao criar um nome desses...). Tínhamos que acreditar também que ele era usuário de sites de compras ou pelo menos um simpatizante da coisa, que ele chegaria em casa ou no trabalho onde então teria acesso a um computador com internet e se lembraria de acessar o nosso site. Aí, se tudo desse certo, o nosso amigo compraria algo por lá. Haja fé!

Agora veja a diferença: eu anunciava em um site, num canal de compras de um grande portal, pagava infinitamente menos do que mídias tradicionais, eliminava algumas barreiras, pois o cliente já estava lá no computador, a um clique do meu produto. Era provável que gostasse de e-commerce mais que o usuário comum pois estava navegando em um canal de compras quando viu meu anúncio. E eu ainda conseguia medir precisamente o impacto de cada peça publicitária e mudar rapidamente toda uma campanha que não estivesse dando o resultado esperado, em questão de minutos!

5 anos depois, temos ainda mais opções bacanas de investimento de baixo custo, com sólido retorno na internet: blog marketing, links patrocinados, campanhas virais, e-mail marketing, anúncios em vídeo no Youtube, Search Engine Marketing e por aí vai...

Anunciando na internet, consigo respostas precisas para os maiores enigmas de um cara de marketing: Qual o custo de aquisição de um cliente no meu e-commerce? Qual o impacto da minha última campanha? Quantas vendas minha última news gerou? Estou aparecendo melhor ou pior na busca orgânica do Google? Quantas pessoas falam do meu site, bem ou mal? Devo ir por aqui? Devo ir por ali?... No caso de um negócio baseado na internet como é uma loja virtual, ter toda essa informação às mãos é muito melhor que molhar o dedo e apontar pro vento pra tomar uma decisão, não é mesmo?

Não sou contra as mídias tradicionais. Sou a favor apenas de sabermos adequar o nosso tipo de negócio ao tipo de mídia correto. E muitas vezes, uma estratégia de comunicação integrada de marketing comporta ações tanto no online quanto no offline com total sucesso... Mas nada de dar tiro de canhão pra matar formiga, como fez o Submarino naquela noite na TV. Nada de gritar a todos os pulmões se o seu cliente é surdo!

Sabendo gastar, nunca vai faltar, já dizia minha avó. E olha que ela nem conheceu a internet.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Falando de e-commerce: conflito de canais

Hoje vamos iniciar uma série em meu blog, todinha dedicada ao e-commerce! Servirá de aquecimento para a palestra que vou ministrar no dia 27/10 sobre os 8 elementos-chave para um e-commerce bem sucedido (saiba mais em: http://www.batepapoecommerce.com).

Não faz muito tempo, estava passeando em um shopping e entrei em uma conhecida loja de departamentos para conhecer algumas opções de TV LCD. A experiência inicialmente foi bacana... Um vendedor muito bem treinado foi me apresentando opções variadas e respondendo a cada dúvida com muita paciência e bom humor.

Tudo corria bem até que meu lado interneteiro falou mais alto e o questionei sobre as condições de compra destes mesmos produtos na loja virtual deles. Neste momento o sorriso se foi, o vendedor ficou pálido e respondeu com voz quase sumida:

- Olha, vou ser sincero com o senhor... Comprar no site não compensa muito não...

Identificando um problema no ar, provoquei-o pra saber mais:

- Mas pelo que eu saiba vocês têm ótimos descontos nas compras via internet, não têm? Parece que tem até frete grátis para essa TV! Acho que vou comprar por lá...

Ele não pareceu gostar muito do meu comentário e retrucou:

- Sim, mas isso é mais ou menos assim, sabe? Compensa mais pro senhor comprar aqui comigo, o senhor já sai daqui com a TV... Na loja virtual vai ter que esperar chegar e ainda corre o risco de atrasar. Sabe como é, internet não é que nem na loja!

Tive a nítida impressão de que ele se referia à loja virtual como se fosse a loja de um concorrente. Dei o golpe de misericórdia:

- Mas estranho ser diferente... Vocês não são tudo a mesma loja no final das contas?

- Sim. Mas internet é uma coisa e aqui é outra! Entende?

- Sei... E se eu comprar pela internet pode vir trocar aqui caso dê algum problema?

- Ih! Aí complica um pouco. Tem que ligar no número lá do site e seguir uns procedimentos. Não conheço muito bem, mas pelo que sei não é simples, demoram pra te atender e quando atendem demora muito pra trocar. Precisa ver direito se é isso mesmo que o senhor quer, pois é muita burocracia comprar via internet e aqui comigo se der qualquer problema é só me procurar que resolvo na hora! Vamos fechar esta TV aqui e o senhor já sai com ela na mão...

Como só queria conhecer opções e não comprar nada ainda acabei agradecendo e saindo de lá sem a TV, mas com a certeza de ter presenciado o drama de um conflito de canal.

Em Marketing, costumamos chamar de canal "todo conjunto de organizações interdependentes envolvidas no processo de disponibilizar um produto ou serviço para uso ou consumo" - Coughlan et al. (2002: 20). Apertando a tecla SAP e trazendo isso para o varejo, mais especificamente: um canal de marketing é toda ponta que vende produto para os consumidores. Assim, a loja física é um canal e a loja virtual é outro canal. E vice-versa. E versa-vice!

No caso que vivenciei, há um conflito de interesses entre estes dois canais. O que acontece é que há duas políticas distintas para cada ponta. E din-din é a palavra-chave aqui: o vendedor ganha comissão sobre as vendas que realiza. Mas quando sai uma venda na loja virtual, ele não ganha nada! Logo, a loja virtual é um concorrente dele. Um inimigo a ser combatido.

Quando a coisa está do jeito que presenciei, o varejista pode fazer o esforço que for para divulgar sua loja virtual dentro de sua loja física. Pode colocar o endereço da loja virtual na sacolinha, pode divulgar na parede ou na vitrine... Mas tudo sofrerá boicote dos próprios funcionários.

E o desgosto do vendedor com tudo isso será sentido pelos clientes. Aos poucos, cada cliente será contaminado pela linha de frente e a coisa pode sair do controle. Prejuízo na certa...

Estamos aqui falando de e-commerce, mas como sempre, acabamos falando de gente. E no conflito de canais, a melhor política é a do jogo limpo com as equipes. Entender onde eles se sentem incomodados e achar soluções criativas para que joguem todos no mesmo time é sempre a melhor saída. Uma boa política de remuneração progressiva, que compartilhe parte do lucro da loja virtual com a equipe da loja física pode ser um bom começo, pois esta parte do dinheiro compartilhado com os funcionários nada mais é do que um investimento para fortalecer a promoção do canal virtual pela sua própria equipe de vendas. Programas de incentivo pelos funcionários que apóiam e divulgam a loja virtual, também funciona bem.

Depois, nada como muito treinamento para que toda sua força de vendas fique alinhada com sua estratégia e com as políticas da loja virtual, para poderem orientar o cliente e todos aplicarem um só discurso.

Se você está pensando em montar um modelo híbrido de canais, com loja física, virtual, televendas, não comece nada antes de pensar nos prováveis conflitos de interesses e na melhor forma de fazer com que todos ganhem. Aí sim, é o canal!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A internet está virando interneta

Há alguns anos que acompanho com grande entusiasmo uma estatísca do relatório Webshoppers (www.webshoppers.com.br): a participação das mulheres no e-commerce. A cada ano que passa, o número vem crescendo e finalmente neste ano de 2008 elas mostraram a que vieram, já ultrapassando o número de meninos comprando pela internet em várias categorias de produtos.

E não é só no consumo do varejo eletrônico que uma silenciosa revolução pink vem acontecendo... Antes de serem compradoras online, elas são usuárias da internet. E o uso da internet de modo geral vem, a cada dia mais, com elas à frente. E a internet "feminina" vem com muita força ainda mais pela nova geração. As internautinhas, em maior número que os internautinhos mirins, vêm dando mostras de que este é um movimento irreversível em todo mundo.

Alguns números para embasar meu discurso: segundo mais recente pesquisa do IBOPE NetRatings sobre o uso da internet por mulheres, no Brasil os internautas residenciais ativos entre 02 e 11 anos de idade correspondem a 11,2% do total de 21,1 milhões de usuários brazucas online. Deste número, 6,1% são de meninas e 5,1% de meninos... Olha elas chegando aí!
As mulheres também ganham dos homens, com idade entre 25 e 34 anos, só que em menor número. Essa fatia corresponde a 17,8% do total de pessoas que acessa a internet de casa, 8,9% delas quase empatam com 8,8% deles. E isso é um reflexo de todos os países onde a internet já atingiu maturidade.

A internet está virando interneta. Criada por homens para homens, vive um momento de rever suas direções estratégicas e pensar sobre como fazer negócios com este público ávido por ser ouvido, respeitado e atendido em suas necessidades características de consumo.

Começamos a ver cada vez mais campanhas na internet só para as mulheres, mas muitos colegas de mídia reclamam de um problema: ainda são poucos os canais na internet mundial que falam a língua delas. O mercado está carente de ferramentas para atingir este público...

Opa! Para boa palavra, meio entendendor basta... Veja só que aí há oportunidades! E muitas!

Então, meus colegas de marketing ou futuros empreendedores em busca de bons negócios: mãos à obra! Chegou a hora, meus amigos, de finalmente entendermos as mulheres... Quais suas necessidades, seus aspiracionais, seus objetivos? Como fazê-las felizes e gerar bons negócios para todos? Faça sua lição de casa. Vá para Vênus, tome uma Coca Zero com elas e ouça-as muito - e até o fim.

Sejamos todos bem-vindos à internet de saias. O mundo virtual também é das mulheres.
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