segunda-feira, 14 de julho de 2008

E o Chacrinha estava certo...

Quem não se comunica se trumbica já dizia Chacrinha, o velho guerreiro. E, vivendo em plena Era da Informação, comunicar virou questão de vida ou morte. Bom, como o que desejamos é vida para todos os nossos negócios, hoje vamos falar de uma parte da comunicação que literalmente dá muito que falar.

Dia desses conversando com um colega, elogiei a brilhante campanha que estava circulando na mídia, da empresa na qual ele trabalha. Ele fez uma cara de “ué” e me perguntou: "Mas qual campanha??".

Fiquei com isso martelando na cabeça. Afinal, não é o primeiro colega que converso que, quando não trabalha diretamente com a estratégia do negócio, não faz a menor idéia do que está sendo feito da marca, dos produtos, dos serviços da empresa junto ao mercado.

Não que as decisões estratégicas devam ser compartilhadas em todos os níveis... Mas o que vejo são muitas empresas deixando de lado a manutenção de um canal extremamente útil para sustentar suas ações junto ao mercado, alinhando e dando mais corpo a todo discurso marketeiro.

Conquistar clientes evangelizadores, aqueles aliados que vão defender as cores de nossa empresa junto aos seus amigos é bacana e faz muito bem pra saúde de qualquer empresa. Mas que tal pensarmos a respeito da conquista de funcionários evangelizadores?

E pra obter funcionários evangelizadores, não precisa aumentar o salário. Precisa sim aumentar a atenção dispensada a ele, compartilhando informação. Por exemplo, quando a gente envolve o funcionário com as campanhas que circulam lá pra fora, a primeira coisa que acontece é o sentimento de valorização e respeito, por fazer parte de algo "importante". E adoramos fazer parte de algo! Nunca me esqueci da época em que trabalhava no Banco Real e iam mudar a assinatura de "O banco da sua vida" para "Fazendo mais que o possível". Era uma mudança muito importante, vinha de uma determinação de lá da Holanda, coisa grande. O pessoal do marketing chamou os funcionários de todas as áreas, em grupos e apresentou em primeira mão os vídeos que iriam para TV, explicou o plano de mídia, contou o que se esperava com tudo aquilo, abriu para perguntas... Pronto! Quando eu via a propaganda circulando, explicava pra quem estivesse por perto qual era o conceito, porque a mudança era tão importante pro banco e por aí vai. Como eu, muitos fizeram o mesmo: saímos por aí evangelizando.

E não posso deixar de falar do funcionário que tem contato com o cliente. O maior pecado é este pessoal da linha de frente saber, através do cliente, os passos da empresa no mercado. Fica aquela sensação de marido traído, do último a saber... E o cliente, quando nota aquele nosso sorriso amarelo, fica com a nítida sensação de estar tratando com uma empresa de fundo de quintal. Já vi empresas que chegam ao absurdo de pedir para o cliente enviar um fax com a campanha da qual o cliente tem dúvidas ou mesmo beiram à loucura de pedirem para o cliente encaminhar de volta pra empresa o e-mail marketing que a mesma empresa enviou, para que o pessoal do atendimento possa comprovar que o que o cliente está dizendo é o que a própria empresa está dizendo que fará. Ufa! O funcionário fica frustrado, passa uma vergonha danada. Isso abala a auto-estima e a motivação. E o cliente que anda cada dia mais arisco, muda rapidinho de empresa. E cadê o cara de marketing que não contou nada pra ninguém?

Comunicação parece simples e de fato é. Mas quando ela não existe, complica tudo. Conversar com este ser chamado funcionário e fazê-lo sentir-se parte da estratégia do negócio é tão fascinante quanto conversar com o mercado. E quando ele sabe o que acontece, engrossa nossa voz ao falar pro mundo lá fora.

Chacrinha estava certo... Alôôôôôô, Teresinhaaaaa!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Manoelismo já!

Semana passada estava eu atrasadíssimo para um compromisso e recorri aos serviços salvadores de um taxi. Em São Paulo taxi é muito caro se comparado com o preço das corridas em outros estados, mas pelo menos eles podem trafegar nos corredores exclusivos de ônibus e isso é um baita diferencial para alguém que estava a ponto de perder a hora como eu.

Ao entrar no veículo, ainda esbaforido e olhando para o relógio, demorei em notar algo diferente no ar. Só aos poucos percebi que não estava em um taxi comum.

O carro era muito limpo e tinha um perfume muito agradável. Logo notei um revisteiro colado ao banco do passageiro. Havia ali revistas da semana, dos mais variados assuntos. Ao lado, balas e bombons à vontade em um baleiro super caprichado. Com muita educação, após saber meu destino e sugerir a melhor rota para chegarmos, o motorista me ofereceu os doces e, enquanto eu tirava o papel da primeira bala (das muitas que chupei), questionou se eu desejava ouvir música ou assistir a um DVD. Sim, havia um DVD instalado atrás dos bancos do motorista e do passageiro com inúmeras opções entre shows e documentários à minha escolha. Preferi dispensar a música e o DVD, para conversar com ele. Definitivamente, não era um taxista comum. Precisava entender esse cara melhor...

Manoel era um homem muito simples, cursou o ensino médio, foi torneiro mecânico. Filho do meio de uma família numerosa que, como tantas outras, deixaram o sertão para tentar a sorte na terra da garoa. Vestia uma camisa bem passada, usava gravata, calça social e sapato. Barba bem cortada, uma apresentação pessoal impecável. Falava calmamente, sempre com um sorriso. Muito educado, bem humorado e com um português melhor do que o de muito cara com MBA que conheço.

Deu muito duro para ter um Taxi próprio. Trabalhou em frota, trabalhou com carro emprestado, mas "chegou lá", nos dizeres dele. Ele estuda por conta própria até hoje, com seus 56 anos. Atualmente está estudando alemão, já se vira no inglês e tira de letra o espanhol. Não fez nenhuma escola de línguas. Sabe muito de internet, engenharia civil, culinária e fala com desenvoltura de agronegócio. Adora ler. Segundo ele, o conhecimento variado é bom pra ter assunto com os "patrões", como ele chama os passageiros.

Ele contou que sempre sonhou em andar de taxi, um sonho que o perseguiu até sua idade adulta. Com muito esforço, certa vez juntou um dinheirinho que ganhou numas horas-extras da fábrica e se deu um presente: fez sua primeira viagem de taxi. Entrou empolgado, saiu decepcionado. O taxista era mal educado, prepotente, não o tratou com respeito e, muito a contragosto, levou-o até o bairro afastado onde ele morava. Mas ao invés de sair de lá com a intenção de nunca mais botar um pé num taxi, viu a história de outro ângulo. Se fosse ele o taxista e fizesse diferente do que viu fazerem, com toda certeza teria muito mais sucesso. E do sonho pra ação foram alguns anos se preparando, planejando e batalhando.

Hoje em dia Manoel é concorridíssimo. Tem agenda cheia. Seu telefone toca a toda hora com passageiros precisando dele. São velhinhas, executivos, clientela fiel e variada. Ele conhece a história de vida de seus "patrões", chama cada um pelo nome e utiliza com eles o tratamento que cada um prefere - alta adaptação ao público-alvo. Ele retribui tamanha fidelidade com agrados: os passageiros ganham panetone no Natal e ovo de chocolate na Páscoa! E entre uma data sazonal e outra, ele sempre deixa um bombom de despedida para os chocólatras de plantão.

Ele tem uma política de descontos progressivos. O passageiro que desejar participar do programa ganha um cartão que ele carimba a cada corrida... A cada corrida, o cliente vai mudando de categoria até se tornar Patrão VIP e obter descontos ou até corridas grátis! O desconto que ele dá, ele negocia com os fornecedores de autopeças, combustível, lava-rápido, tudo para tornar a empreitada viável... Toda cadeia contribui para ele obter os resultados e com isso todos ganham.

Pois é, meus amigos... Manoel é o cara.

E todos podemos ser Manoéis também. Nem todos começamos a corrida juntos, nem todos tivemos as mesmas oportunidades na vida, mas cabe a cada um de nós a responsabilidade pessoal e intransferível de fazer a diferença no pedacinho de mundo em que vivemos.

Seja na internet ou fora dela, todo mundo pode tornar o seu negócio um negócio diferente e, na diferença, ir muito mais além. Manoelismo já! Pra você e para mim.

(foto meramente ilustrativa)
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